Cidades de Refúgio
Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando passardes o Jordão à terra de Canaã,
Fazei com que vos estejam à mão cidades que vos sirvam de cidades de refúgio, para que ali se acolha o homicida que ferir a alguma alma por erro.
E estas cidades vos serão por refúgio do vingador de sangue, para que o homicida não morra, até que esteja perante a congregação no juízo.
E das cidades que derdes haverá seis cidades de refúgio para vós.
Três destas cidades dareis daquém do Jordão, e três destas cidades dareis na terra de Canaã; cidades de refúgio serão.
Serão de refúgio estas seis cidades para os filhos de Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio deles, para que ali se acolha aquele que ferir a alguma alma por erro.
Tanto na antiguidade como nos tempos modernos, os homens tiveram e tem por costume associar aos nomes dados às cidades, uma espécie de nome qualificativo, o qual identificava a cidade com aquilo que representava.
Assim por exemplo: Curitiba é conhecida como a "Cidade Sorriso"; São Paulo "Cidade da Garoa"; Rio de Janeiro "Cidade Maravilhosa"; Paris "Cidade Luz" e Roma "Cidade Eterna"
Na antiguidade encontramos as Cidades de Refúgio.
O que vinha a ser uma Cidade de Refúgio?
Nos nossos dias a sociedade é regulada por leis que julgam ,e condenam ou livram, os criminosos ou culpados através de tribunais.
Os povos antigos porém, especialmente os gregos, germanos e eslavos, consentiam que a parte ofendida se vingasse por suas próprias mãos.
O parente mais próximo da vítima devia vingar a morte, matando o assassino sumariamente, sem qualquer forma de processo ou defesa. Era a lei da época. "Quem derramar o sangue de um homem, pelo homem o seu sangue será derramado."
Depois provavelmente o parente mais próximo da segunda pessoa morta matava o vingador. Deste modo, se estabelecia um regime de vingança de sangue em um ciclo interminável.
No caso de Israel, a Lei de Moisés veio com o propósito de colocar um limite a esse sistema, estabelecendo para isso as Cidades de Refúgio.
Essas cidades foram criadas para evitar injustiças que o sistema trazia.
As Cidades de Refúgio portanto, era um local previamente separado para acolher todo e qualquer homicida até que se esclarecesse sua culpa ou inocência (julgamento).
Como funcionavam?
1) O homicida só estava garantido dentro da Cidade de Refúgio.
2) As portas da cidade estavam sempre abertas dia e noite (ao contrário de outras cidades).
3) Havia também estradas bem cuidadas com indicações para essas cidades.
4) O homicida era acolhido e protegido até o julgamento. Se fosse culpado, seria condenado. Se fosse provada a sua inocência seria lhe oferecido asilo.
5) Se mesmo inocente saísse da cidade antes da morte do sumo sacerdote em exercício, corria o risco de ser morto.
Analogia
A semelhança do homicida que necessitava de um esconderijo para escapar do vingador de sangue antigamente, hoje, é comparada a nós pecadores que precisamos de um refúgio espiritualmente falando. Precisamos da Graça e da proteção de Deus.
O homicida que alcançasse a cidade de refúgio, estava em segurança até o seu julgamento. Havia uma oportunidade.
A humanidade um dia será julgada. E ai daquele que não tiver encontrado o seu refúgio, abrigo, proteção, uma defesa, alguém que intervenha no seu caso.
"Todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus" Romanos 3:23
Mas ainda há esperança de salvação, pois agora Cristo é o nosso lugar de refúgio.
As cidades de refúgio mencionadas na Palavra de Deus apontavam para Cristo hoje. Jesus como sacerdote, como o grande e verdadeiro abrigo e proteção para a humanidade que um dia enfrentará o juízo final.
"O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." João 6:37
Busquemos imediatamente refúgio em Jesus pois fora dEle não há salvação. Em Jesus temos a garantia dos nossos direitos de defesa perante o tribunal divino.
O homicida não podia ser morto pelo vingador de sangue ao menos que deixasse a cidade. Se alguém deixar Jesus, estará em condições idênticas.
Apostatar, é negar a Cristo e a eficácia do seu sangue remidor.
Assim como as portas da cidade de refúgio se conservavam abertas dia e noite, hoje, as portas da salvação estão abertas para quem quiser entrar a qualquer momento.
Ele disse: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á..." João 10:9.
Assim, como haviam estradas com indicações para a cidade de refúgio, hoje Jesus nos diz: "Eu sou o caminho..." João 14:6.
Uma vez dentro da cidade, estava seguro, mas sujeito a julgamento. Até ser absolvido ou culpado.
A boa notícia é que em Jesus, mesmo que sejamos culpados, através do seu sangue, somos justificados e recebemos segurança e abrigo.
O ponto importante era que o homicida que tivesse recebido asilo, depois de ter sido julgado e fosse inocente, deveria permanecer na cidade para sua própria segurança. Se porém saísse da cidade e fosse encontrado pelo vingador de sangue, poderia ser morto, pois desprezou a segurança oferecida.
Se porém falecesse o sumo sacerdote, poderia voltar para sua casa em segurança sob a proteção das autoridades.
Assim também sob a lei (o homem era salvo pelas obras da lei), não havia segurança de salvação a não ser para aquele que cumprisse a lei.
Mas depois da morte de Cristo ( nosso sumo sacerdote) que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação perante o tribunal divino, estamos livres para regressar ao lar celestial em segurança e protegidos pela autoridade do sangue de Jesus.
Quais eram as Cidades de Refúgio?
1) Golã
Tem dois significados:
a) Exílio. Segundo a interpretação dos escritos originais, o cristão neste mundo é como se estivesse exilado da sua verdadeira pátria. ( a Celestial). Jesus mesmo disse quando orava pelos seus discípulos: "Não sois deste mundo, como Eu deste mundo não sou." Somos estrangeiros e peregrinos em terra estranha longe da verdadeira pátria celestial. Paulo reconhecia isto quando disse: "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.
b) Círculos. Quando nos refugiamos em Cristo, embora exilados em terra estranha, somos circundados, envolvidos, cercados, protegidos com a grande salvação que Cristo trouxe.
Hebreus 13:44 / Salmos 139:5
2) Quedes
Quer dizer "Santo". O que nos lembra a santidade de Jesus. Como pecadores buscamos refúgio em Cristo e passamos a experimentar da sua santidade.
1 Coríntios 1:30 / Hebreus 12:10
3) Siquém
Quer dizer ombro - escápula. É a parte do corpo que simboliza a força. Os sacerdotes levitas quando ofereciam sacrifícios de animais, tinham o direito de comer uma porção desse sacrifício. E uma das partes que a lei determinava que fosse comida, era a escápula direita do animal. Simbolicamente o sacerdote levita se fortalecia quando se alimentava da carne da escápula do carneiro ou cordeiro, e recebia novas forças, nova vida. Como um povo sacerdotal, temos a nossa porção no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Jesus disse: " Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida Eterna." Quando nos refugiamos em Cristo, vamos na fraqueza dos nossos pecados, porém somos fortalecidos na vida espiritual.
João 6:54-57
4) Bezer
Significa "ouro ou prata." Símbolo de riqueza. Portanto simbolizava as riquezas da graça e da glória de Cristo. Todo homem é pobre espiritualmente, mas aquele que se refugia em Cristo, é enriquecido com todas as bênçãos celestiais. Tiago em sua epístola diz: " Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?"
Efésios 3:8 / Tiago 2:5 / 1 Coríntios 1:5
5) Hebrom
Quer dizer "comunhão - união". Quando nos refugiamos em Cristo, em Jesus passamos a ter comunhão com o Pai. Refugiar-se é esconder-se. Paulo diz: "A vossa vida está escondida com Cristo em Deus." E somente refugiados em Cristo que podemos ter verdadeira comunhão com o Pai.
Colossensses 3:3 / Mateus 11:27
6) Ramote
Quer dizer "alturas". Quando nos refugiamos em Cristo, passamos a habitar as alturas, "porque estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais". Para chegarmos a Ramote temos que passar por Hebrom. Para alcançarmos as alturas das regiões celestiais, temos que ter comunhão com o Pai.
Efésios 2:5-6.
Escalada
Nesta escalada, começamos por baixo e alcançamos as alturas da glória da ressureição. Começamos exilados, porém protegidos. Como pecadores para depois sermos salvos e santificados. Fracos, mas depois fortalecidos. Pobres, mas depois enriquecidos.
Na Palavra de Deus o número seis significa imperfeição. E o número sete perfeição.
As seis cidades de refúgio cada uma com suas características, apontavam para JesusCristo, o sétimo e verdadeiro lugar de refúgio para a alma do homem.
Pr. Pedro de Oliveira Rosa

Comentários
Postar um comentário